Translate

terça-feira, 10 de março de 2026

O Guerrilheiro e a Benfeitora : Explorando os Limites da Liberdade Artística

                      A BENFEITORA

*** Essa é uma postagem - matéria especial. O roteirista, diretor, câmera e ator Guerrilla Metropolitana tem mantido contato regular comigo no Facebook, e então perguntou se eu estaria interessado em assistir seu filme mais recente, e fazer uma resenha. No Messenger eu recebi explicações escritas e faladas, onde o diretor tanto expressou seu orgulho e entusiasmo por seu trabalho, quanto indignação por conta de censuras e críticas extremamente negativas, e até ofensivas que recebeu. Aceitei, é claro, e então vamos ao filme...


"The Benefactress: An Exposure of Cinematic Freedom" (  UK  2025) de Guerrilla Metropolitana 




A rica esposa de um poderoso pastor evangélico americano decide  financiar um filme com a condição de aparecer nele por meio de uma transmissão ao vivo.  A benfeitora / financiadora usa o pseudônimo Elektra McBride, e aparece, nua, usando uma máscara de látex e óculos escuros, e sente prazer ao assistir o que se segue...





'Juicy X' ,uma mulher de meia idade e seios grandes, que parece uma 'tiazona', aparece diante das câmeras...




.... confessando ter sido abusada sexualmente pelo roteirista/diretor durante as filmagens de um curta-metragem - ele havia enfiado uma mini câmera em seu ânus para gravar uma sodomia.  




Agora ela é a opressora, abusando sexualmente, torturando e estuprando sua vítima, chamada simplesmente de 'Mystery Woman'. 




Tudo é acompanhado pelo próprio diretor Guerrilla, que aparece com sua câmera de mão, gravando tudo, e participando ativamente nos estupros... 






 'Guerrilla Metropolitana' é um cineasta independente italiano radicado em Londres, anteriormente músico com formação em artes. Ele iniciou com curtas metragens de terror como "Bits"  e "My Special Superhero", e o média- metragem em estilo documentário sobre a censura cinematográfica britânica "The Censor - A British horror tale of Real politics and sociomoral code", todos em 2021, e lançados diretamente no Youtube. Guerilla  atraiu considerável atenção tanto pelo seu estilo experimental, quanto pelo apuro visual.




 "Dariuss" (2023) foi sua estreia em longa-metragem, e foi extremamente controverso, por conta da  grande quantidade de sangue , misturado com violência sexual explícita. Filmando quase sempre em estilo 'guerrilha' (sem autorização legal, e motivo de seu pseudônimo) e com o uso de metalinguagem, o filme aposta em uma forma de realismo para contar uma história de terror, mas sem ser no estilo found footage / mockumentary... 




Então chegou seu trabalho mais recente "The Benefactress (an Exposure of Cinematic Freedom)", onde aprimora seu estilo pessoal e underground. A proposta de Guerrilla Metropolitana foi fazer um filme perturbador, brutal, e psicologicamente desconfortável, mas sem querer ser um "A Serbian Movie". Lembra muito um filme 'Snuff', mas não pretende ser. Também lembra os vídeos japoneses de 'Pinku Eiga' mais extremos dos anos 1990, com enredos mínimos, e focados em estupros. Também me lembrei de minha própria experiência, atuando e ajudando a produzir, a notória 'Fase 98' dos vídeos de Petter Baiestorf (como "Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos"), e depois seu 'ciclo' de 'Gorechanchada', principalmente "Arrombada : Vou Mijar na Porra de seu Túmulo", de 2007. A violência crua, o voyeurismo e a tênue linha entre pornô e arte erótica, transforma-se em uma experiência sensorial radical ( e eu achei divertida !) sobre os limites do cinema /vídeo e da performance artística e a provocação radical. "The Benefactress" também questiona o próprio meio de produção underground : afinal, sempre lutando contra a falta de recursos, se o realizador contasse com uma rica (e hipótrica) patrocinadora quais seriam seus limites éticos e morais? 

 Poderia ser um pornô S&M, mas é muito experimental. Poderia ser um filme de arte, mas o conteúdo exploitation ofusca quaisquer intenções nesse sentido ...sem contar que o filme tem um tom de humor negro perverso, que me lembrou John Waters...




Visual impactante, e propositalmente 'tosco' - foi editado parcialmente em preto e branco de alto contraste e com partes com tonalidades que lembram um filme pornô dos anos 1970, ou até os filmes caseiros em Super-8; tudo com gravações com câmera na mão, em cenários mínimos e claustrofóbicos.

 


Com pouco mais de uma hora de duração, está longe de ser um filme fácil de assistir. Além de sua violência gráfica e imagens provocativas, a situação se mostra muito repetitiva...provavelmente de forma intencional. 




Não é um filme para todos, principalmente nos dias de hoje, onde se divulga, critica e teme os casos reais de violência sexual. Mas, afinal, "The Benefactress" não foi concebido para entreter, excitar, ou incentivar tais atos, mas como diz seu subtítulo, é uma declaração sobre a liberdade cinematográfica, e que força o espectador a questionar a relação entre a arte, a exploração e... sua própria cumplicidade...




Eu recebi uma cópia privada de avaliação do filme, que (por motivos óbvios) não posso divulgar...até que seja liberada...




        https://www.imdb.com/name/nm15132270/



                                                         Cesar Coffin Souza

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Guerrilheiro e a Benfeitora : Explorando os Limites da Liberdade Artística

                      A BENFEITORA *** Essa é uma postagem - matéria especial. O roteirista, diretor, câmera e ator Guerrilla Metropolitana ...