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quarta-feira, 25 de março de 2026

DARIUSS: A Dor & O Horror

 "DARIUSS" (  UK 2023) de Guerrilla Metropolitana




*** Uma garota - menina (Medusa S.) passeia e brinca alegremente em meio à natureza. De repente, sua inocência é destruída violentamente. Não sabemos o que aconteceu. Mas foi um horror. 



A família - sua mãe (Ila Argento), seu pai (Archibald Kane) e sua avó (Maria Antonieta de Robespierre)  tentam lidar com a terrível perda, e sufocar a dor infinita. 




Cada um a sua maneira. De maneiras extremas. Abusando de alimentos, remédios, drogas, possível suicídio, e sexo. E sexo.





Sua decadente e isolada casa é então assaltada por um homem misterioso e estranho (Guerrilla Metropolitana), um maníaco com uma câmera de vídeo, e os restos de sua última vítima nas mãos. 





A mãe da menina é morta violentamente, e depois estuprada. A avó é estuprada, e depois...devorada.




Quando o pai da menina chega inesperadamente em casa...mais depravação, sangue, morte, e uma possível e terrível revelação...e um fantasma...




Primeiro longa metragem do cineasta independente ítalo-britânico que atende por Guerriila Metropolitana (que depois faria "The Benefactress: An Exposure of Cinematic Freedom" , em 2025) ver:

 https://museucoffinsouza.blogspot.com/2026/03/o-guerrilheiro-e-benfeitora-explorando.html 


 "Dariuss" é um filme experimental radical, e que não pretende poupar ou agradar ninguém; oferecendo um olhar sombrio sobre como os seres humanos lidam com a perda de um ente querido, mergulhando em um mundo sombrio e doentio. O filme incorpora elementos típicos de filmes de horror psicológico, invasão domiciliar, expressionismo, surrealismo, psicodelia, found footage, e do cinema extremo. 




Ambientado inteiramente em um único cenário, o filme não tem diálogos, e a 'trilha sonora' mistura sons de piano, risos de um bebê, ruídos de insetos, uma torneira gotejante, e gemidos de prazer e/ou dor, e sons de flashback, sobreposto ao áudio das cenas 'ao vivo'. Uma cacofonia perturbadora com mais de 2000 sons utilizados...




Visualmente a obra é um caleidoscópio de imagens alucinatórias, e cenas carregadas, misturando p&b e colorido, onde granulação e 'danos na película' foram adicionados digitalmente. Assim mesmo, são mostradas cenas de violência gráfica e gore (com bons efeitos especiais), e sexo explícito, com incesto, estupro, necrofilia e canibalismo, e mais...




Com elenco reduzido (e personagens sem nome), as atuações são muito boas, principalmente Ila Argento como a mãe desesperada.  




Concebido inicialmente como um curta metragem sobre 'home invasion', o projeto foi adiado, e posteriormente retomado como um longa. Filmado em partes ao longo de muitos meses, novos elementos, situações e personagens /atores foram adicionados, e depois seguido de uma exaustiva e complexa edição, que levou o cineasta a uma crise nervosa. Provocativo, "Dariuss" é um mergulho perturbador em mentes corroídas pela dor, e pela culpa. Assim como seu segundo filme, Guerrilla Metropolitana entrega um petardo subversivo, que pode ser indigesto para a maioria, mas é um exercício fascinante de cinema underground, e experimental...





       https://www.youtube.com/watch?v=FlO9Iw7Csis


FONTES:

- Guerrilla Metropolitana

-IMDB

- Wikipédia


                                                 Cesar Coffin Souza

terça-feira, 10 de março de 2026

O Guerrilheiro e a Benfeitora : Explorando os Limites da Liberdade Artística

                      A BENFEITORA

*** Essa é uma postagem - matéria especial. O roteirista, diretor, câmera e ator Guerrilla Metropolitana tem mantido contato regular comigo no Facebook, e então perguntou se eu estaria interessado em assistir seu filme mais recente, e fazer uma resenha. No Messenger eu recebi explicações escritas e faladas, onde o diretor tanto expressou seu orgulho e entusiasmo por seu trabalho, quanto indignação por conta de censuras e críticas extremamente negativas, e até ofensivas que recebeu. Aceitei, é claro, e então vamos ao filme...


"The Benefactress: An Exposure of Cinematic Freedom" (  UK  2025) de Guerrilla Metropolitana 




A rica esposa de um poderoso pastor evangélico americano decide  financiar um filme com a condição de aparecer nele por meio de uma transmissão ao vivo.  A benfeitora / financiadora usa o pseudônimo Elektra McBride, e aparece, nua, usando uma máscara de látex e óculos escuros, e sente prazer ao assistir o que se segue...





'Juicy X' ,uma mulher de meia idade e seios grandes, que parece uma 'tiazona', aparece diante das câmeras...




.... confessando ter sido abusada sexualmente pelo roteirista/diretor durante as filmagens de um curta-metragem - ele havia enfiado uma mini câmera em seu ânus para gravar uma sodomia.  




Agora ela é a opressora, abusando sexualmente, torturando e estuprando sua vítima, chamada simplesmente de 'Mystery Woman'. 




Tudo é acompanhado pelo próprio diretor Guerrilla, que aparece com sua câmera de mão, gravando tudo, e participando ativamente nos estupros... 






 'Guerrilla Metropolitana' é um cineasta independente italiano radicado em Londres, anteriormente músico com formação em artes. Ele iniciou com curtas metragens de terror como "Bits"  e "My Special Superhero", e o média- metragem em estilo documentário sobre a censura cinematográfica britânica "The Censor - A British horror tale of Real politics and sociomoral code", todos em 2021, e lançados diretamente no Youtube. Guerilla  atraiu considerável atenção tanto pelo seu estilo experimental, quanto pelo apuro visual.




 "Dariuss" (2023) foi sua estreia em longa-metragem, e foi extremamente controverso, por conta da  grande quantidade de sangue , misturado com violência sexual explícita. Filmando quase sempre em estilo 'guerrilha' (sem autorização legal, e motivo de seu pseudônimo) e com o uso de metalinguagem, o filme aposta em uma forma de realismo para contar uma história de terror, mas sem ser no estilo found footage / mockumentary... 




Então chegou seu trabalho mais recente "The Benefactress (an Exposure of Cinematic Freedom)", onde aprimora seu estilo pessoal e underground. A proposta de Guerrilla Metropolitana foi fazer um filme perturbador, brutal, e psicologicamente desconfortável, mas sem querer ser um "A Serbian Movie". Lembra muito um filme 'Snuff', mas não pretende ser. Também lembra os vídeos japoneses de 'Pinku Eiga' mais extremos dos anos 1990, com enredos mínimos, e focados em estupros. Também me lembrei de minha própria experiência, atuando e ajudando a produzir, a notória 'Fase 98' dos vídeos de Petter Baiestorf (como "Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos"), e depois seu 'ciclo' de 'Gorechanchada', principalmente "Arrombada : Vou Mijar na Porra de seu Túmulo", de 2007. A violência crua, o voyeurismo e a tênue linha entre pornô e arte erótica, transforma-se em uma experiência sensorial radical ( e eu achei divertida !) sobre os limites do cinema /vídeo e da performance artística e a provocação radical. "The Benefactress" também questiona o próprio meio de produção underground : afinal, sempre lutando contra a falta de recursos, se o realizador contasse com uma rica (e hipótrica) patrocinadora quais seriam seus limites éticos e morais? 

 Poderia ser um pornô S&M, mas é muito experimental. Poderia ser um filme de arte, mas o conteúdo exploitation ofusca quaisquer intenções nesse sentido ...sem contar que o filme tem um tom de humor negro perverso, que me lembrou John Waters...




Visual impactante, e propositalmente 'tosco' - foi editado parcialmente em preto e branco de alto contraste e com partes com tonalidades que lembram um filme pornô dos anos 1970, ou até os filmes caseiros em Super-8; tudo com gravações com câmera na mão, em cenários mínimos e claustrofóbicos.

 


Com pouco mais de uma hora de duração, está longe de ser um filme fácil de assistir. Além de sua violência gráfica e imagens provocativas, a situação se mostra muito repetitiva...provavelmente de forma intencional. 




Não é um filme para todos, principalmente nos dias de hoje, onde se divulga, critica e teme os casos reais de violência sexual. Mas, afinal, "The Benefactress" não foi concebido para entreter, excitar, ou incentivar tais atos, mas como diz seu subtítulo, é uma declaração sobre a liberdade cinematográfica, e que força o espectador a questionar a relação entre a arte, a exploração e... sua própria cumplicidade...




Eu recebi uma cópia privada de avaliação do filme, que (por motivos óbvios) não posso divulgar...até que seja liberada...




        https://www.imdb.com/name/nm15132270/



                                                         Cesar Coffin Souza

FILIPINAS 7 - Horror & Fantasia- Anos 2000

                                   As Filipinas... Uma crise econômica vivenciada pela indústria cinematográfica na década de 2000 levou ao ...